Por

João Dantas

Pai é preso por planejar morte do filho para não pagar pensão e confessar crime ao ChatGPT

As mensagens trocadas entre um agricultor de 56 anos preso em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo e o ChatGPT revelaram o plano de matar o próprio filho, de 8 anos, para não pagar pensão alimentícia à ex-companheira. Conforme obtido pelo ClickPB, em coletiva de imprensa da Polícia Civil do Espirito Santo, na última quinta-feira (25), o homem foi preso após compartilhar a ideia no ChatGPT e a OpenAI acionar o FBI, que denunciou o caso à polícia brasileira.

De acordo com o delegado Ícaro Olimpio, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) do Espírito Santo, diversas mensagens foram identificadas com os relatos ao ChatGPT da tentativa de contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o filho e a recusa do serviço ao descobrir que a vítima seria uma criança.

“Ele enviava mensagens para a Inteligência Artificial e, nessas mensagens, abrindo o seus pensamentos e coração, ele dava conta que estava contratando um pistoleiro para poder matar o seu filho, um filho que ele não tinha contato, de uma ex-companheira”, explicou o delegado Ícaro Olimpio, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

Segundo o delegado, o agricultor também fez pesquisas sobre venenos, ataques contra policiais e atentados em locais públicos. Ainda segundo Ícaro, embora tenha admitido ser o autor das pesquisas, o pai negou a intenção de matar o filho. De acordo com a investigação, o homem pretendia matar o filho no dia 20 de junho. A prisão ocorreu um dia antes, após um alerta enviado pela OpenAI ao FBI e repassado às autoridades brasileiras.

O delegado também chamou atenção ao trabalho da polícia com plataformas online, como o ChatGPT. Ele explicou que todo o conteúdo é monitorado e, caso apresente risco a alguém, é notificado.

“Tudo que é colocado na internet, todas as palavras e pensamentos que ali são externalizados, são comunicados às plataformas. Há uma integração, um trabalho cotidiano entre as plataformas, o governo brasileiro, o Ministério da Justiça e das polícias”, alertou o delegado.

“Estamos vigilantes, esperamos que esses tipos de crime não aconteçam, mas trabalhando como se fossem acontecer”, destacou durante a coletiva de imprensa.

CARIRI IN FOCO

Com ClickPB

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