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João Dantas

Eleições: os estados onde Lula terá de se equilibrar entre dois palanques

Em um sistema político tão fragmentado quanto o brasileiro, a composição dos palanques nos estados pode ser o fator que altera o equilíbrio da balança – ainda mais na disputa presidencial deste ano, que promete ser tão acirrada quanto a de 2022.

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Saiu na frente nessa corrida para montar palanques, com alianças para disputas aos governos fechadas ou avançadas em 22 dos 27 estados. As alianças variam entre as históricas, como as com o PSB e o PDT, até as improváveis, como as fechadas com as campanhas à reeleição de Clécio Luís (União Brasil), no Amapá, e de Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba.

Nessa última, inclusive, Lula terá o delicado desafio de se equilibrar entre dois palanques. Apesar do apoio formal a Lucas Ribeiro, o petista tem boas relações com o rival dele, o ex-prefeito Cícero Lucena, do MDB paraibano, que é alinhado ao petista. Em entrevista recente a uma rádio de João Pessoa, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que é da base do governo e faz parte da chapa de Cícero, disse que não será fácil convencer o companheiro a pedir votos para Lula nessa situação.

O mesmo acontece em Pernambuco, onde o PT fará aliança formal com João Campos (PSB) sem fechar as portas para a governadora Raquel Lyra (PSD), que se aproximou do presidente – ela, inclusive, também terá de ter jogo de cintura, já que o partido dela lançará candidato próprio à Presidência: o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.

“É um equilíbrio complicado, mas não vai ser a primeira vez que lidaremos com isso, especialmente no Nordeste, onde a maioria quer ser o candidato do Lula”, diz o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), membro do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), que capitaneia as articulações do PT nos estados e tem como objetivo número um a reeleição do presidente. Com essa prioridade em mente, o PT já aceitou que terá um protagonismo menor. Neste ano lançará apenas dez candidatos próprios aos governos estaduais, o menor número das últimas quatro eleições.

Para o professor Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie, o processo de composição dos partidos é parte essencial do processo eleitoral, mas neste ano ele foi mais acelerado que o normal por dois motivos: a persistente polarização e o rápido crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. “Acho que foi mais rápido este ano porque a polarização é a mesma, mas também é distinta: o Lula está tentando a reeleição e, portanto, tentando capitalizar sobre as realizações do governo, contra o Flávio Bolsonaro, que veio mais forte do que esperavam”, disse.

A importância dos palanques estaduais

Além de fornecerem estrutura nos estados e base de sustentação em um eventual governo, uma frente ampla partidária dá ainda outra arma às campanhas: tempo de propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio. Apesar de as redes sociais terem superado outros veículos como principal fonte de informação sobre política, segundo pesquisa Quaest divulgada neste mês, os meios de comunicação tradicionais continuam sendo um trunfo importante – e disputado. 

Um estudo da Fundação Primeiro de Maio, ligada ao Solidariedade, estima que a União Progressista, federação entre o União Brasil e o PP, receberá a maior fatia do horário eleitoral, com 2 minutos e 28 segundos à sua disposição. O PL vem em seguida, com 2 minutos e 14, e o PT em terceiro, com 1 minuto e 59 segundos. A distribuição é feita de acordo com o tamanho da bancada dos partidos na Câmara dos Deputados eleita em 2022, desconsiderando, portanto, mudanças de sigla no meio do mandato. 

“O tempo televisivo ainda tem um impacto muito importante no cenário eleitoral brasileiro, uma boa parcela da população ainda se vale da informação adquirida na televisão. Naturalmente, isso tem um peso, principalmente para as candidaturas majoritárias, e os partidos fazem suas alianças e coligações pensando na ampliação desse tempo”, explicou o cientista político Henrique Cardoso, um dos autores do estudo. Uma eventual aliança, portanto, entre a União Progressista e o PL, como vem sendo aventado, significaria mais que dobrar o tempo de TV disponível para Flávio, por exemplo.

CARIRI IN FOCO

Com Veja

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