O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não se meta nas eleições do Brasil”. Lula e Trump participaram da cúpula do G7 realizada na França, mas não chegaram a se reunir. O presidente dos Estados Unidos disse hoje que conversou com Lula, e chamou o Brasil de um “país politicamente difícil”.
Lula disse que não pediu uma reunião bilateral com o americano durante a cúpula e ainda acrescentou que Trump fez uma coisa desaforada com o Brasil ao sugerir um novo tarifaço. Ao ser questionado em entrevista coletiva sobre a declaração de Trump sobre o país, o presidente brasileiro reagiu:
— Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil.
Lula ainda fez uma defesa da urna eletrônica e disse que em seu próximo encontro com o americano levará uma urna.
— A gente não fica como no século passado com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele como funciona.
O presidente brasileiro afirmou ainda que Trump conhece pouco o Brasil.
— Eu acho que ele conhece pouco o Brasil, se ele conhece o Brasil pela relação que tem com a família Bolsonaro ele desconhece o Brasil.
A declaração de Trump ocorreu após o americano ser questionado se conversou com o brasileiro sobre o novo tarifaço e a designação das facções Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
— Sim, eu passei bastante tempo com ele (Lula), na verdade — disse Trump, que não detalhou o conteúdo da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.
Em seguida, Trump pareceu confundir os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio e Eduardo Bolsonaro.
— Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele (Lula) e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele.
O presidente americano também fez um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.
— Eles (Brasil) jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos.
Ainda ao comentar as declarações de Trump, Lula disse nesta quarta-feira que os EUA deveriam aprender com as eleições brasileiras.
— Não tem país no mundo, e os EUA poderiam aprender com o Brasil, com eleições mais tranquila, mais leve e menos conturbada. Não tem um país do mundo que tem um sistema de urna eletrônica como o nosso.
Encontros com Trump
Em setembro do ano passado, Lula e Trump tiveram um encontro de 39 segundos nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O americano revelou que houve uma “química excelente” entre eles.
Os dois se reuniram em seguida em outubro na Malásia. Em 7 de maio, Lula visitou Trump na Casa Branca. O encontro, que teve a presença de ministros, durou três horas, incluindo um almoço. O presidente americano, porém, recebeu o senador e pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, no dia 26 de maio, também na Casa Branca.
CARIRI IN FOCO
Com O Globo








