O carteiros paralisaram suas atividades da manhã de hoje na Paraíba em protesto contra atos de violência durante entregas de mala direta. O Secretário-Geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (SINTECT-PB), Tony Sérgio Rodrigues Cavalcante, relatou que os trabalhadores estão sofrendo na ruas durante a realização do serviço.
“Pessoas mal-intencionadas estão atacando os trabalhadores, filmando os trabalhadores para lacrar na internet como se os trabalhadores estivessem cometendo crime eleitoral. Estamos parando para chamar atenção da sociedade para o fato que aconteceu em João Pessoa, Campina Grande e São Bento”, explicou Cavalcante Cavalcante.
O Sindicato que representa os carteiros tem recebido denúncias graves de trabalhadores que, durante a entrega de correspondências e materiais de mala direta relacionados ao período eleitoral, estão sendo abordados de maneira hostil, ameaçados e, em situações extremas, agredidos fisicamente simplesmente por realizarem a distribuição de material de ordem legal de distribuição pelos Correios.
Carteiros não são responsáveis pelo conteúdo da correspondência
O sindicalista lembra que o carteiro não é responsável pelo conteúdo político da correspondência que entrega, não escolhe o remetente, não define qual candidato ou partido terá seu material distribuído e não está fazendo campanha eleitoral.
Além disso, a distribuição de Mala Direta é um serviço comercializado regularmente pelos Correios. Partidos políticos, candidatos e entidades de qualquer espectro ideológico podem contratar a estatal e os próprios Correios apresentam a Mala Direta como uma das soluções oficiais nas Eleições 2026 para divulgação de propostas.
Cavalcante também repudiou relatos de que cidadãos estão associando as entregas exclusivamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a um partido específico. “O serviço postal é impessoal e atende a todos os contratantes legalmente habilitados. Carteiro não é candidato e não é cabo eleitoral. Carteiro é trabalhador e está cumprindo sua função! Nenhuma divergência política ou ideológica autoriza a violência sob qualquer pretexto. Em Campina Grande, a intolerância atingiu o nível mais grave, resultando na agressão física de um trabalhador em serviço”, relatou.
Na ocasião, o agressor foi conduzido pela polícia para prestar esclarecimentos na Polícia Federal e responderá criminalmente pelo ocorrido. Um dirigente sindical dos carteiros foi designado para acompanhar o caso, e a assessoria jurídica do sindicato já está prestando toda a assistência necessária à vítima para garantir que o agressor seja punido rigorosamente conforme a lei.
Ameaçar alguém, por palavra, escrito, gesto ou qualquer outro meio, de causar-lhe mal injusto e grave pode configurar o crime de ameaça, previsto no artigo 147 do Código Penal. Da mesma forma, agressões que resultem em ofensa à integridade corporal ou à saúde do trabalhador podem configurar o crime de lesão corporal, previsto no artigo 129 do Código Penal, sem prejuízo de outras responsabilidades civis, trabalhistas e penais aplicáveis ao caso concreto.
O SINTECT-PB já comunicou formalmente à Superintendência Estadual dos Correios na Paraíba e exige providências imediatas para proteger seus empregados, sobretudo os carteiros. “Orientamos a todos os ecetistas que sofrerem qualquer tipo de hostilidade a comunicarem imediatamente ao sindicato e às autoridades competentes, registrando boletins de ocorrência e preservando imagens ou provas, desde que em segurança. O debate eleitoral deve ocorrer dentro dos limites democráticos e o carteiro leva a correspondência porque este é o seu trabalho”, concluiu.
CARIRI IN FOCO
Com ClickPB






