O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) entrou com uma ação na Justiça Federal para mudar o nome do 1º Grupamento de Engenharia, pertencente ao Exército Brasileiro, em João Pessoa, que homenageia o general Aurélio de Lyra Tavares, signatário do Ato Institucional 5. O Jornal da Paraíba teve acesso a ação, nesta sexta-feira (7).
Em abril, o MPF já havia informado que após um pedido feito junto ao comando do Exército para a mudança do nome do quartel, e a recomendação não ter sido atendida pelo órgão à época, iria protocolar a ação judicial.
Além de protocolar a ação em relação ao quartel, o MPF informou que pediu formalmente a transferência do âmbito estadual para a esfera federal de um processo instaurado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra a Prefeitura de João Pessoa sobre nomes de ruas e bairros de João Pessoa que também fazem alusão a pessoas que fizeram parte da ditadura no país.
O Jornal da Paraíba entrou em contato com o Exército na Paraíba, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Segundo o MPF, como justificativa para protocolar a ação, manter homenagens oficiais a pessoas identificadas por documentos produzidos pelo próprio Estado brasileiro como participantes da estrutura repressiva é incompatível com a Constituição de 1988, com os direitos fundamentais à memória e à verdade e com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de direitos humanos.
O órgão também cita uma lei municipal de João Pessoa, nº 12.302/2012, que proíbe homenagens a pessoas vinculadas à ditadura civil-militar ou a violações de direitos humanos.
Transferência de processo para esfera federal
Anteriormente, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) já havia entrado com uma ação para mudar os nomes de bairros e ruas de João Pessoa que tenham ligação com à ditadura militar. O MPF, junto da ação para mudar o nome do quartel, pediu que este processo fosse para a esfera de análise federal.
Como argumento para isso, o órgão afirmou que embora parte das homenagens esteja localizada em espaços públicos municipais, essa “é uma discussão que ultrapassa o interesse exclusivamente local” e que a competência da Justiça Federal “decorre do interesse jurídico da União, já que a repressão foi conduzida por estruturas estatais federais”.
O processo no âmbito estadual começou ainda no ano passado e enveolve tanto a Prefeitura Municipal e como também Câmara Municipal. A Defensoria Pública Estadual também faz parte como polo ativo no processo.
Os órgãos municipais argumentam no âmbito estadual, que os nomes dessas localidades já estão sedimentados na cultura e na história da cidade e, por isso, não devem ser mudados. O MP, por outro lado, ressaltava que não mudar fere princípios constitucionais como o direito a verdade e a memória.
Na petição para a transferência de esferas, o MPF argumenta que a Prefeitura de João Pessoa incide em “inércia e resistência injustificada” sobre as mudanças.
O Jornal da Paraíba procurou o município de João Pessoa, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Nomes de bairros e ruas com alusão a ditadura em João Pessoa
Bairros
- Bairro Castelo Branco
- Bairro Costa e Silva
- Bairro Ernesto Geisel
Avenidas
- Avenida Presidente Castelo Branco (localizada no bairro Castelo Branco)
- Avenida General Aurélio de Lyra Tavares (localizada na Ilha do Bispo)
Ruas e Travessas
- Rua Presidente Médici (localizada no bairro Funcionários)
- Rua Presidente Ranieri Mazzilli (localizada no bairro Cristo Redentor)
- Rua Trinta e Um de Março (localizada no bairro do Miramar)
- Travessa Presidente Castelo Branco (localizada no bairro Castelo Branco)
Praça
- Praça Marechal Castelo Branco (localizada no bairro dos Estados)
Loteamento
- Loteamento Presidente Médici (localizado no bairro Funcionários)
Escola
- Escola Municipal Joacil de Brito Pereira (localizada no bairro Gramame)
Unidade Militar
- Grupamento General Lyra Tavares” atribuída ao 1º Grupamento de Engenharia do Exército
CARIRI IN FOCO
Com Jornal da Paraíba








