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João Dantas

Mulher denuncia procedimento durante exame toxicológico para CNH e diz que teve cabelo raspado

Uma mulher denunciou nas redes sociais um suposto problema ocorrido durante a realização de um exame toxicológico obrigatório para emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em um laboratório de análises clínicas de Sapé. O caso aconteceu no sábado (11). A denúncia foi publicada pela própria mulher, que relatou a situação em um vídeo nas redes sociais.

Desde maio deste ano, candidatos à primeira habilitação também passaram a ser obrigados a apresentar resultado negativo em exame toxicológico, conforme determinação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Ana Karolina relatou que teve problemas durante a realização do exame em um laboratório de análises clínicas de Sapé. Segundo ela, o procedimento de coleta do material teria sido feito de forma inadequada, com a retirada de duas grandes mechas de cabelo, uma na parte central da cabeça e outra na lateral. A candidata afirmou que a situação causou dor e afetou sua autoestima.

De acordo com o relato, a coleta deveria ter sido feita apenas uma vez, mas precisou ser repetida após a profissional responsável informar que um dos envelopes usados para armazenar a amostra havia sido rasgado.

“Ela tirou meu cabelo duas vezes, onde era para ter tirado só uma, e em menor quantidade. Ainda queria retirar uma terceira mecha, alegando que não iria valer”, afirmou a mulher no vídeo.

Ana Karolina disse que questionou a necessidade de uma nova retirada de cabelo e sugeriu que fosse feita apenas a substituição do envelope danificado. Segundo ela, após a insistência, a profissional teria informado que a amostra poderia ser encaminhada mesmo com o pequeno rasgo no material utilizado para acondicionamento.

Após chegar em casa, a candidata afirmou ter percebido a dimensão da área retirada durante o procedimento e classificou a coleta como desnecessária. No vídeo publicado nas redes sociais, ela também relatou ter sentido dor durante a realização do exame, que, segundo ela, foi registrado em vídeo.

Ainda conforme o relato de Ana Karolina, ao final do procedimento, a profissional teria orientado que ela mantivesse o cabelo preso para esconder a região afetada pela coleta.

Em uma publicação nas redes sociais ainda nesta segunda-feira (13), a mulher informou que chegou a um acordo com o laboratório após o episódio em que teve parte do cabelo raspada durante a realização de um exame toxicológico para renovação da CNH.

Segundo ela, a clínica se comprometeu a oferecer o acolhimento necessário e a custear o tratamento capilar, além do acompanhamento psicológico relacionado aos danos causados pela situação. Na publicação, a mulher afirmou ainda que espera que todos os termos do acordo sejam cumpridos “com responsabilidade e respeito”.

Entenda como funciona o exame toxicológico exigido para a CNH

O exame toxicológico obrigatório para candidatos à primeira habilitação só pode ser realizado em laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ou em postos de coleta autorizados, vinculados a esses laboratórios. As normas não permitem que o procedimento seja feito em residências, empresas, unidades móveis ou qualquer outro local sem credenciamento.

Para a realização do teste, é retirada, preferencialmente, uma pequena mecha de cabelo, cortada o mais próximo possível da raiz. Caso o candidato não tenha cabelo com comprimento suficiente, a coleta pode ser feita com pelos do corpo e, em situações específicas, com unhas.

O material coletado é dividido em duas amostras: uma é utilizada para a análise laboratorial e a outra permanece armazenada pelo laboratório por até cinco anos. Essa segunda amostra pode ser utilizada como contraprova, caso o candidato queira contestar o resultado do exame.

Todo o processo deve seguir protocolos de segurança definidos pela Senatran, com identificação do candidato e registro da cadeia de custódia da amostra, garantindo que o material coletado seja o mesmo analisado em laboratório.

Após a coleta, o laboratório tem até 15 dias para emitir o laudo e registrar o resultado no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach). O exame possui validade de 90 dias e é capaz de identificar o consumo de substâncias psicoativas ao longo dos cerca de 90 dias anteriores à coleta, quando a amostra utilizada é o cabelo.

Caso o resultado seja positivo, o candidato tem direito de solicitar a contraprova, que consiste na análise da segunda amostra coletada. Além disso, os laboratórios credenciados podem ser fiscalizados pela Senatran e pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), estando sujeitos a sanções caso descumpram as normas técnicas previstas para esse tipo de exame.

Exame passou a ser exigido para novos condutores

Desde maio, candidatos à primeira habilitação também passaram a ser obrigados a apresentar resultado negativo em exame toxicológico, conforme determinação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

No caso da coleta por cabelo, utilizada para emissão da CNH, a amostra deve ser retirada o mais próximo possível da raiz, com comprimento mínimo de três centímetros. O material é acondicionado em envelopes lacrados para análise laboratorial e permite identificar o consumo de substâncias psicoativas ao longo dos últimos 90 dias ou mais.

A reportagem tentou contato com o laboratório para obter um posicionamento sobre as novas declarações da paciente e sobre as medidas adotadas após o ocorrido. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

CARIRI IN FOCO

Com Jornal da Paraíba

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