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João Dantas

Justiça determina reconstituição de chacina em Conde após inconsistências em depoimentos dos policiais

A Justiça da Paraíba determinou, nesta sexta-feira (22), a quebra do sigilo do processo que investiga a chacina que aconteceu no município de Conde e determinou a reconstituição do caso. A decisão ocorre por conta da fragilidade dos depoimentos dos policiais envolvidos e nas contradições dos laudos periciais.

O Ministério Público da Paraíba ressalta que os policiais teriam retirado do local os veículos utilizados, que foi inicialmente descrito por eles como uma troca de tiros. Apesar disso, os laudos descartaram qualquer possibilidade de confronto.

Segundo o depoimento dos agentes, a ação teria ocorrido após a informação de que um dos jovens buscava vingar a morte da mãe. De acordo com eles, o carro em que estavam as vítimas não obedeceu a um bloqueio policial e sem seguida efetuaram os disparos. Os policiais também afirmaram que tentaram prestar os primeiros socorros, colocando eles nas viaturas para levar até um atendimento médico.

Contudo, os laudos periciais apontaram indícios de execução. Além de constatar que os veículos foram retirados da cena do crime, a perícia também registrou que um dos carros tinha 74 perfurações e o outro, 19. O exame também apontou que as cinco vítimas foram atingidas por disparos na cabeça e na nuca, descartando qualquer hipótese de confronto. A análise balística ainda concluiu que os tiros foram efetuados de fora para dentro, e não o contrário, como alegaram os policiais.

Diante disso, a Justiça determinou a reconstituição do caso para esclarecer as circunstâncias da chacina sob a possibilidade de execução.

Segundo a defesa dos policiais, eles entraram com um pedido de habeas corpus. Em nota, um dos advogados afirmou que os agentes estão colaborando com as investigações e que não há provas de fraude processual ou execução. A defesa reforçou que as prisões decretadas têm caráter temporário, servindo apenas para auxiliar na coleta de informações.

Dos seis policiais militares, cinco foram localizados e estão custodiados no 5º Batalhão, no bairro do Varadouro, em João Pessoa. Um tenente, que estava de férias nos Estados Unidos, também deve ser transferido em breve para a capital.

O caso

Cinco jovens morreram no dia 15 de fevereiro deste ano, após um confronto com a Polícia Militar, na Ponte dos Arcos, que divide Conde (na região de Mituaçu) e João Pessoa. De acordo com informações da PM, o tiroteio começou após os policiais serem recebidos a tiros pelos ocupantes de um carro preto.

As vítimas tinham 26, 25, 16 e 17 anos. Ainda segundo a polícia, os jovens estaria se preparando para atacar o suposto autor do feminicídio em Conde. 

Segundo a Polícia Militar, o grupo teria ligação com uma facção criminosa. Todos os ocupantes do veículo foram socorridos e levados ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa pela própria PM, mas já chegaram sem vida à unidade de saúde.

CARIRI IN FOCO

Com Portal Correio

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